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Quando uma ideia se multiplica e dá frutos PDF Imprimir E-mail
Publicado por Taiza Brito   Seg, 07 de Junho de 2010 14:36

Por Taíza Brito, com fotos de Éricka Melo

premio_vasconcelos_sobrinhoO que faz com que uma ideia se destaque entre tantas outras? E que consiga chamar a atenção, mesmo que trate de algo que pensemos já ser suficientemente de conhecimento público?

Quem  acertou direitinho na resposta foram os jovens estudantes Ana Clara Marinho, Dora Costa e Silva, Girlâny Silva, Laura Holanda, Lucas Neves, Lucas Melo, Mariana Ramalho e Thaís Botelho,  alunos da turma da 8ª série/9º Ano  da Escola Arco-Íris, localizada no bairro da Várzea, no Recife.

Eles foram agraciados com o Prêmio Vasconcelos Sobrinho de Meio Ambiente, categoria “Práticas educacionais”,  na última sexta-feira (04), pela Agência Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (CPRH), por terem idealizado, executado, compartilhado e gerido um projeto chamado “Refrigerador urbano, já plantou o seu?”, ainda quando ainda faziam a 6ª série/7º Ano, em 2008.

Quer saber do que trata o projeto? Leia agora em post especial do Blog Viva Pernambuco.

Árvores: nossos refrigeradores urbanos

O “Refrigeradores urbanos, já plantou o seu?” germinou em sala de aula, na turma da 6ª série/7º Ano, da Escola Arco-Íris, em 2008, como proposta de trabalho da disciplina Oficina de Pesquisa, sob a supervisão do professor Antônio Carlos Mendes.grupo_arcoiris

Os alunos Ana Clara Marinho, Dora Costa e Silva, Girlâny Silva, Laura Holanda, Lucas Neves, Lucas Melo, Mariana Ramalho e Thaís Botelho resolveram partir para campo depois de estudarem em sala de aula sobre a importância da temperatura  na adaptação dos seres vivos à vida, o que os fez refletir  sobre a importância das áreas verdes para as cidades.

A ideia do projeto foi norteada pela seguinte pergunta: Será que a vegetação influencia na amenização dos microclimas de uma cidade?

thais“Nós já sabíamos que a resposta a esta pergunta era sim. Contudo, o que queríamos com o projeto era mostrar isso ao maior número de pessoas possível. Fazer com que essa consciência que estávamos tendo em sala de aula saísse para fora da escola. Pois muitas vezes tomamos conhecimento de determinadas coisas, mas nem praticamos nem ensinamos para os outros”, ensina a jovem Thaís Botelho (foto), com a propriedade de quem sabe o que se deve fazer para preservar e melhorar o meio ambiente.

O desejo de Thaís e de seus amigos  de multiplicar o conhecimento adquirido começou a se concretizar logo na execução do projeto. Naquele momento eles perceberam que sozinhos não poderiam dar conta das metas que estabeleceram. Então recorreram à ajuda de alunos de outras séries da escola e também de oito outras instituições educacionais, particulares e públicas do Grande Recife. Que junto com eles assumiram o compromisso de verificar o efeito da vegetação sobre o microclima das áreas urbanas e de tentar sensibilizar as pessoas sobre o poder do verde.

O projeto

Para fundamentarem o projeto, os alunos debruçaram-se sobre sobre artigos científicos, pesquisaram em sites na internet, livros e jornais, além de consultarem um estudioso na área de climatologia. “Isso foi fundamental para que eles ampliassem o olhar sobre o tema”, explica a diretora pedagógica da escola, Maria Edite, que acompanhou passo a passo a experiência dos alunos.

Depois disso, os estudantes definiram a área de estudo, partindo do Marco Zero do Recife com o traçado de uma linha imaginária que seguiu no sentido Leste/Oeste. A este mapa acresceram as áreas metropolitanas da UR-7, em Jaboatão dos Guararapes, e do município de Camaragibe.

Assim, selecionaram pontos de coleta de informações onde iriam medir, seis vezes ao dia, temperatura e umidade, em 12 áreas verdes identificadas no mapa, identificadas com a ajuda das ferramentas Google Earth e Google Maps.

Essa coleta foi feita durante três dias, por meio de termohigrômetros digitais, com a aferição da temperatura e umidade nos seguintes horários: 6h, 9h, 12h, 15h, 18h e 21h. Para fazer comparações, os alunos definiram dois locais de coleta em cada ponto: um chamado de Local Verde (LV) e outro de Local de Controle (LC), com distâncias entre si de 50 a 100 metros. “Isso para diferenciar locais com e sem vegetação”, acrescenta Edite.

meninas2“Também observamos variáveis que poderiam interferir nas medições, como circulação de veículos e de pessoas, presença de edifícios e construções”, lembra a estudante Amanda Lima (na foto, à esquerda).

Para que os alunos de outras séries e das outras escolas entendessem a metodologia, os idealizadores do projeto realizaram reuniões explicando como tudo seria feito, envolvendo também os professores das outras unidades. “Eles mesmos conduziam as reuniões. Vocês precisavam ver como orientavam direitinho os demais”, conta, orgulhosa, Maria Edite.

Ao final da pesquisa, foram levantados 864 registros de temperatura e umidade, que foram dispostos em gráficos e tabelas.

“Poder verde”

Como a própria Thaís e seus amigos já esperavam, o resultado dos dados coletados nos 12 pontos mostrou que na maioria dos Locais Verdes apresentava temperatura mais baixa. Isso foi constatado em 87% das áreas pesquisadas.

“Isso referendou a nossa hipótese, confirmando o que chamamos de “poder verde”, destaca Thaís. Ela e os demais envolvidos no projeto verificaram que a variação média de temperatura foi entre 0,66 e 1,13 graus Celsius, com maior destaque para as áreas verdes de UR-7, Apipucos e Dois Irmãos, que apresentam maior concentração vegetal dentro da área urbana. Houve áreas onde essa diferença chegou até 2,45 graus.

Os alunos acreditam que nos locais onde não houve variação de temperatura isso decorre em função da maior concentração de pessoas, carros e áreas construídas, o que segundo eles pode ser abalizado com aprofundamento da metodologia estabelecida.

Conscientizando-se e semeando conscientização

P6041366A meta de conscientizar cada vez mais pessoas foi sendo seguida pelos alunos, que apresentaram os resultados do trabalho na 14ª Ciência Jovem,  a maior feira de Ciências do Norte e Nordeste.

Lá, quando terminavam a exposição do projeto, sempre encerravam com a mesma pergunta: “Já plantou seu refrigerador urbano” ?

“Fazíamos isso para que as pessoas se topassem que nós somos responsáveis pelo ambiente em que vivemos. E que não é apenas importante manter as áreas verdes, mas expandí-las”, acredita a estudante Amanda Lima. A amiga Thaís completa: “Com a experiência, a gente aprendeu também a importância do planejamento urbano. Eu sei que as cidades não vão parar de crescer e não queremos impedir isso. Mas as pessoas precisam saber que é preciso crescer de uma forma que dê para contemplar também a manutenção de áreas verdes, pois quem sofre com a falta deles somos nós mesmos”.

Ao apresentarem o trabalho na feira, os alunos também conquistaram espaço na mídia, tendo seu projeto divulgado em matérias veiculadas em jornais impressos de Pernambuco, o que também fez com que outras pessoas tomassem conhecimento da importância dos "refrigeradores urbanos".

“Neste ano um pai de aluno insistiu na ideia de inscrevermos o trabalho no Prêmio Vasconcelos Sobrinho e fomos escolhidos como melhor prática educacional entre os inscritos”, comemora Maria Edite, ciente de que o maior prêmio é mesmo ver que os alunos entenderam os princípios que regem a missão da Arco Íris.

“Aqui tentamos contribuir para a transformação da sociedade, favorecendo a discussão de problemas sociais e o desenvolvimento de capacidades que permitam ao aluno intervir na realidade. E estamos felizes deles estarem entendendo isso”, cocluiu Maria Edite.

Motivos para plantar uma ou mais árvores!

arvore3Chamar as árvores de refrigeradores urbanos não é exagero.  Por isso a importância de projetos como o desenvolvido pelos alunos da Escola Arco-Íris. Abaixo, o Blog Viva Pernambuco relacionou alguns motivos que fazem refletir sobre a importância das árvores:

Uma árvore adulta pode absorver do solo até 250 litros de água por dia. Imagine como elas podem ajudar para não ocorrerem tantas enchentes, das quais matam e deixam muitas pessoas sem casas!

A camada de folhas que se formam a baixo das árvores  serve de berço para as sementes, e para proteger o solo dos pingos da chuva. Cada pingo de chuva que cai diretamente no solo, causa erosão. A erosão do solo pode ser prejudicial em vários casos:

rvore4Em rios: A erosão leva terra e areia para o leito (fundo) do rio, fazendo com que o rio fique mais raso, com menor capacidade de guardar água, causando a falta de água nos meses de pouca chuva, além da morte dos peixes.

Para o solo: A erosão leva embora as sementes que poderiam germinar e recompor a vegetação natural. Ou seja, solo desprotegido tende a continuar desprotegido.

Para os animais: A erosão pode levar embora ninhos de animais que os fazem no chão, e tampar os de diversos outros animais, matando os filhotes que estão dentro. Além do mais, sem vegetação e frutos para alimenta-los, eles vão embora ou morrem de fome.

Para os lençóis freáticos: Os solos sem vegetação, por não terem raízes e minhocas para deixa-lo fofo, não tem uma boa absorção de água. Além do mais, como não há barreiras para a água, ela vai embora rapidamente, não dando tempo para a água da chuva penetrar no solo. Com isso os lençóis freáticos secam, acabando assim com muitos rios e conseqüentemente com nossa água potável.

Além disso, a copa das árvores também protege o solo da chuva direta, sem contar que suas raízes seguram firmemente o solo. As raízes de árvores que estão nas beira de rios, aparecem as vezes dentro do rio, parecendo cílios. Essas raízes além evitarem a erosão, servem de casa para muitos animais. Por causa destes cílios, a mata próxima aos rios é conhecida pelo nome de Mata Ciliar.

Uma árvore pode transpirar por suas folhas, até 60 litros de água por dia. Este vapor se mistura com as partículas de poluição do ar, e quando se acumulam em nuvens, caem em forma de chuva. Portanto, as árvores ajudam também na retirada de poluentes do ar! Além do mais, este vapor ajuda a equilibrar o clima da região. Isso é facilmente percebido em parques e floretas que tem seu clima mais fresco.

Outro ponto que podemos notar até mesmo em parques no meio de grandes cidades, é o silêncio! As árvores formam uma parede que impede a propagação dos ruídos. Cercas vivas estão sendo muito utilizadas hoje em dia para criar ambientes mais silenciosos e aconchegantes (além de bonitos).

Mais motivos!!!

sombraSombra: Se levarmos em conta a devastação e a não preocupação do reflorestamento, pode se preparar para sair de casa de guarda sol, pois a previsão é de que em 2030 nossas matas vão acabar !

madeiraMadeira: Se você não tem nada de madeira na sua casa pode enviar seu nome para colocarmos no livro dos recordes. O mercado madeireiro é um dos que mais cresce no Brasil. Muitas empresas são clandestinas, e pouca gente se preocupou em saber se a madeira que está comprando é autorizada ou não. Se você usa madeira, por que não ajudar plantando?

papelPapel: Não há no mundo país que tenha um substituto para o papel vindo da madeira de árvores, sendo produzido em larga escala ! Preocupante ? Então imagine quantas árvores você já usou e vai usar só com papel !

oxigeneoOxigênio: Você respira ? Bem, pode não conseguir mais daqui alguns anos. A poluição gerada pelas grandes cidades está desequilibrando a quantidade de oxigênio no mundo ! E uma novidade: Estudiosos afirmam que florestas muito antigas, que já atingiram seu equilíbrio, produzem a mesma quantidade de gás carbônico (liberado a noite) que a de oxigênio. E que florestas jovens, para poder crescer, liberam muito mais oxigênio do que gás carbônico. Isso significa que plantar uma árvore é produzir oxigênio !

frutasFrutas: Quem não gosta de uma boa fruta ? Mas não pense que elas são produzidas em laboratório. Elas chegam à sua mesa, pois árvores às produziram. E se você fizer as contas deve ter gasto com frutas o bastante para ter mais de 100 pés de cada fruta que você gosta. Mesmo porque o gasto em se ter uma árvore é quase zero.

Fauna: Que delícia ouvir o canto dos pássaros logo de manhã ! Pois então ! Plante uma árvore perto de sua casa e ouça o resultado! Se você estiver em zona rural, ou próximo a alguma floresta, ainda poderá receber a visita de diversos animais da fauna brasileira.

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